Banca Piauí
(02/01/2008 – Tribuna da Imprensa)
Pioneira no funcionamento 24h, a banca de jornais era parada obrigatória nas noites do Baixo Leblon, mas, devido à violência, agora fecha à meia-noite
Simone Avellar
Noite no Leblon, anos 80. A juventude carioca se reúne na Pizzaria Guanabara, no Diagonal e no RA – como era conhecido o Real Astória – no que formava o chamado o “Triângulo das Bermudas”. Os motivos variavam: beber, azarar, falar de música, política ou, simplesmente, jogar conversa fora.
No meio daquela multidão que fervilhava, desconhecidos se misturavam a toda uma nova geração de artistas da música, artes cênicas e plásticas. Nomes já consagrados também batiam ponto, cada um elegendo o seu bar preferido.
Altas horas, o maço de cigarros acabava, a caneta – para anotar o telefone daquele(a) gato(a) – falhava, alguém havia se esquecido de comprar pilhas para a máquina ou queria dar uma espiada nas capas das cobiçadas revistas internacionais “Billboard” e “Rolling Stones”. Só existia uma saída àquela altura do campeonato. E a apenas um quarteirão: a banca de jornais em frente à Farmácia Piauí. De resto, tudo já estava fechado.
Desde que o imigrante italiano Carmelo comprou a banca, nos anos 60, decidiu ficar aberto até mais tarde para atender a notívaga clientela. Conseguiu autorização da Prefeitura justamente no ponto em frente à Piauí – a primeira farmácia do Rio de Janeiro a funcionar 24h por dia – e acabou adotando o mesmo nome.
Passados os anos dourados do Baixo Leblon – frequentado de Cazuza a Tom Jobim -, e com a onda crescente de violência, a drogaria cerrou suas portas em 2000 (mas existe ainda no mesmo endereço uma outra franquia), e a Banca Piauí deixou de ficar aberta ininterruptamente. Agora, funciona das seis da manhã à meia-noite.
Quase um supermercado
O que já era comum em São Paulo, as chamadas superbancas – que oferecem de tudo – era o diferencial que tornou famosa a Banca Piauí. Eram tantas coisas a serem vendidas que o espaço não dava conta. Por isso, não raro, era possível encontrar revistas espalhadas até mesmo pela calçada. A própria livraria Letras e Expressões, que fica do outro lado da Ataúlfo de Paiva, foi inaugurada por alguns dos antigos funcionários da banca que, de olho no sucesso, decidiram ampliar o negócio.
Alexandre Schinner, de 21 anos, frequenta a Piauí desde os tempos em que era carregado de carrinho pela mãe, conforme conta. De tanto passar na banca, fez amizade com todos os vendedores e chegou, até mesmo, a trabalhar um tempo por lá. “Conheço todo mundo aqui, desde o pessoal antigo. O Carmelo foi o primeiro dono, depois passou para os filhos e agora está com o Eduardo [Crivero]“, relaciona.
O garoto guarda várias histórias, como a vez em que uma moto invadiu a calçada e destruiu a banca – que era, então, de maneira – por completo. Em 1994, o jornaleiro ganhou ar condicionado e portas de vidro automáticas.
Paparazzi – Embora a concorrência das livrarias tenha ofuscado um pouco o brilho da banca, ela continua a atrair muitos fregueses – entre os quais -alguns famosos. Por isso, ainda é muito badalada e vigiada constantemente por paparazzis, de plantão para flagrar algumas celebridades que se mantêm clientes fiéis, como Chico Buarque, Vera Fischer e Alceu Valença – moradores do bairro.
A Banca Piauí usa, hoje, o mesmo logotipo da revista homônima, lançada em 2007 por João Moreira Salles. O nome, segundo Eduardo, foi uma coincidência, mas que acabou dando certo. “Eles adotaram a banca como a oficial da publicação, mas a gente não recebe por isso. É uma troca de gentilezas. Nós colocamos a logo deles aqui e, em retribuição, eles fazem indicação da banca na revista”, revela o dono.
BANCA PIAUÍ – Av. Ataulfo de Paiva, 1283 – Leblon. Tel.: 2511-5822. Aberto diariamente, das 6h às 24h.
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A BANCA VOLTOU A SER 24hS. DESDE 2009!
OBRIGADO! JUNTO COM A SEGURANÇA!