Brasil, fora da crise, se prepara para crescer

O Brasil como quinta economia mundial. A previsão otimista, revelada em recentes estudos do Fundo Monetário Internacional (FMI), tem o apoio do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. Ele acredita que, recuperado da crise, o País caminha para entrar no seleto grupo do Primeiro Mundo.  “Nós temos muito trabalho pela frente. Temos que resolver alguns problemas antigos, como os bolsões de pobreza. Existem ainda cerca de 30 milhões de pessoas que precisam ser resgatadas. Mas é importante lembrar que nenhum país até agora conseguiu fazer com que 100% de sua população tivesse todas as condições ideais de vida”, afirma.

Em destaque no noticiário nacional por causa de suas críticas em relação à taxação do capital estrangeiro com o Imposto de Operações Financeiras (IOF), o Miguel Jorge desmente o mal estar entre ele e o ministro da Fazenda, Guido Mantega. “Não há guerra. O que existe são diferenças de opiniões. E isso é absolutamente normal”, diz ele, que nos últimos dias revelou à imprensa considerar a taxação de 2% um ato “inócuo”.“O grande problema que nós temos hoje, e que é um paradoxo, é que o País está pagando o preço do sucesso. Se ele estivesse mal, não teria essa quantidade de dólar entrando aqui. São poucos os países do mundo que neste momento têm a possibilidade de atrair investimento como o Brasil tem tido”.

O cabelo, repartido de lado, e o bigode grisalhos são marcas de uma longa jornada que teve início com o jornalismo. Hoje com 46 anos de trabalho, Miguel Jorge começou a vida profissional na redação do Jornal do Brasil. Mais tarde, durante 10 anos, ocupou o cargo de chefe de redação no Grupo Estado, de onde saiu em 1977 para iniciar carreira corporativa na Volkswagen e, depois, no Santander. Em 2007, assumiu o ministério substituindo Luiz Fernando Furlan. “Não tenho pretensão de voltar a trabalhar na grande imprensa. Acho que é hora de começar a pensar em parar. Estou  aposentado há um monte de anos e não consigo parar. Mas na verdade eu não tenho ideia do que eu vou fazer depois”, conta o ministro, de  64 anos, sobre as perspectivas para o fim do mandato.

Mas, mesmo com muito trabalho pela frente – como ele mesmo disse -, Miguel Jorge vê com bons olhos a fase econômica do Brasil. A crise – chamada pelo presidente Lula de “marolinha” -, segundo o ministro, já passou. E ele tem evidências para isso. “Todo mês os principais setores da economia se reúnem para avaliar como estão. No penúltimo mês já se percebia a saída crise, pois começava a se falar em Custo Brasil. Era a primerira vez em que se falava sobre isso desde a crise”. Outra prova citada é a mudança no nome desse mesmo grupo de “Grupo de Acompanhamento da Crise” para “Grupo de Avanço de Competitividade” (GDA).

“Saiu hoje [sexta-feira] nos jornais que a taxa de desemprego em setembro foi de 7,7%, o mesmo número de quando nós tivemos o melhor índice dos últimos anos. Quando você avalia outros países europeus, por exemplo, que você prevê queda de 6% até 10% no PIB e você ja assume que para o ano o Brasil deve crescer 1% e, no último trimestre, já é previsto um crescimento de 4%, eu não diria que foi uma marolinha, mas uma marola. A Espanha tem um índice de desemprego de 20%. Isso é Tsunami”, explica o ministro.

No entanto, para que a previsão do FMI se concretize nos próximos anos, Miguel Jorge defende a necessidade de estimular a internacionalização de empresas brasileiras. “Você não tem bancos brasileiros com presença em lugar nenhum for a do brasil, as redes de supermercado brasileiras não têm nenhuma presença for a do Brasil. Isso é absolutamente ridículo. Nós deveríamos ter há muito tempo multinacionais operando em outros países”, diz, apontando como benefícios dessa internacionalização a possibilidade de ter um management mais qualificado e um maior potencial competitivo ao absorver novas tecnologias e investimentos de fora.

A vitória do Rio de Janeiro para sediar os jogos olímpicos de 2016 foi outro sinal de confiança da comunidade internacional no desempenho do Brasil. Contudo, a violência na cidade, na última semana, reacendeu discussões acerca da decisão. Para o assunto, Miguel Jorge tem uma resposta na ponta da língua. “A cada três meses ocorre uma Columbine nos Estados Unidos. Alguém entra em uma escola e mata 10, 12 pessoas. E isso repercute no mundo tanto quanto uma guerra no Rio. Vocês acham que por isso Chicago não teria condições de realizar as olimpíadas?”


Categorized as Textos

Leave a Reply