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	<title>3 AM</title>
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		<title>O olheiro das estrelas</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Apr 2010 00:48:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Simone Avellar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Matérias Publicadas]]></category>
		<category><![CDATA[estrelas]]></category>
		<category><![CDATA[Globo]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Antônio Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[novela]]></category>
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		<description><![CDATA[Com mais de duas décadas de experiência, o ator Luiz Antonio Rocha, de 42 anos, é um profissional requisitadíssimo nos bastidores da TV Globo. Nas obras escritas pelo autor Manoel Carlos, por exemplo, tem presença obrigatória. Trabalhou nas novelas Laços de Família e Mulheres Apaixonadas, na minissérie Presença de Anita e está na atual atração do horário nobre da emissora, Viver a Vida. Trata-se de um feito digno do colega José Mayer, que também acumula as quatro produções no currículo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>(Veja Rio: 20/03/2010)</em></p>
<h2><span style="color: #800080;"><em>Dono de um faro apuradíssimo,  o  produtor<br />
de </em><em>elenco Luiz Antônio Rocha firma-se como um<br />
dos </em><em>grandes descobridores de talentos da Globo</em></span></h2>
<p>Simone Avellar</p>
<p>Com mais de duas décadas de experiência, o ator   Luiz Antonio Rocha, de 42 anos, é um profissional requisitadíssimo  nos  bastidores da TV Globo. Nas obras escritas pelo autor Manoel Carlos, por  exemplo,  tem presença obrigatória. Trabalhou nas novelas <em>Laços  de  Família</em> e <em>Mulheres Apaixonadas,</em> na minissérie <em>Presença   de Anita</em> e está na atual atração do horário nobre  da emissora, <em>Viver  a Vida</em>. Trata-se de um feito digno do colega José  Mayer, que  também acumula as quatro produções no currículo.  No entanto, ao  contrário do rodado galã, Rocha é invisível  para os telespectadores.  Ele trabalha atrás das câmeras. Conhecido  por poucos, é o responsável  por identificar talentos e indicá-los  para os papéis, uma função  qualificada no organograma funcional  das emissoras como produtor de  elenco. No caso de <em>Viver a Vida</em>, foi ele  quem sugeriu as duas  principais revelações da novela – o  brasiliense Mateus Solano, que vive  os gêmeos Jorge e Miguel, e a curitibana  Adriana Birolli, a viperina  Isabel, garota-problema encarregada de atormentar  boa parte dos demais  personagens com seus comentários corrosivos. Além  de dar um empurrão  nos novatos, ajudou ainda o autor a definir o nome de  Taís Araújo para o  papel da protagonista da trama, Helena. &#8220;O  Luiz sabe encontrar a  pessoa certa para um papel. Tem faro, olho clínico,  sensibilidade e,  mais do que tudo, talento&#8221;, elogia Manoel Carlos. &#8220;Tê-lo  em minha  equipe não chega a ser uma exigência, mas eu prefiro trabalhar  com  ele.&#8221;</p>
<p>Se para um  profissional que atua à    frente das câmeras o talento – ou a falta  dele – é facilmente    percebido, para os que agem nos bastidores a  situação é mais    complexa. Bons produtores de elenco são reconhecidos  basicamente por sua    capacidade de fazer as escolhas certas. Nesse  ponto, Rocha tem sido imbatível.    Na lista de astros e estrelas  revelados por ele nos últimos dez anos estão,    por ordem alfabética,  Aline Moraes, Carol Castro, Daniel de Oliveira, Débora    Fallabella,  Juliana Paes, Mel Lisboa, Priscila Fantin e Reynaldo Gianecchini.    &#8220;Eu  diria que identificar uma estrela em potencial é o tipo de atividade     em que a intuição conta mais do que qualquer outra coisa&#8221;,    explica.  Evidentemente, há muita dedicação envolvida. Escalar    o elenco de uma  produção do porte de <em>Viver a Vida</em> é    uma tarefa de gigantesca  complexidade. Além dos 71 personagens fixos da    produção, há um  punhado de extras recrutados no decorrer    das gravações. Cabe ao  &#8220;olheiro&#8221; (ao todo, a Globo tem    dezoito desses profissionais)  apresentar nomes de atores e atrizes compatíveis    com os personagens e  coordenar a realização dos testes seletivos    – foram mais de 200  apenas na atual novela. Normalmente, a seleção    é feita com base em um  vasto material produzido pela gerência de    pesquisa de elenco da  emissora, grupo encarregado de procurar caras novas em festivais    de  teatro, de cinema e escolas de interpretação. Mas Rocha também     costuma se envolver nessa busca, assistindo principalmente a peças. &#8220;É     pela atuação no palco que se tem uma noção do potencial    de cada  um&#8221;, conta.</p>
<p>Apesar de o teatro ainda ser a principal     fonte de talentos para a televisão, os caçadores de estrelas não     podem negligenciar outros meios, digamos, menos nobres. Rocha começou  sua    carreira justamente no mercado publicitário, escalando atores  para comerciais.    Foi em um teste para um anúncio que ele topou com a  beleza exuberante de    Juliana Paes, ainda no fim dos anos 90. Depois  de indicá-la para algumas    campanhas, resolveu incluí-la no elenco de <em>Laços  de Família,</em> no papel da empregada doméstica Ritinha, alvo das  constantes investidas    do patrão-cafajeste Danilo, vivido por  Alexandre Borges. &#8220;Quando começaram    os testes, ele me caçou feito um  louco, porque tínhamos perdido    o contato&#8221;, recorda Juliana. &#8220;No dia  da apresentação,    fui toda produzida para a Globo. Assim que entramos  na sala do diretor Ricardo    Waddington, ele disse que eu não servia.  Como o Luiz me conhecia bem, pediu    para eu tirar a maquiagem e  prender o cabelo. Quando voltei, o Ricardo aceitou    marcar o teste.&#8221;</p>
<p>Um dos mantras continuamente repetidos     pelo preferido de Manoel Carlos é que um produtor de elenco não     descobre ninguém, apenas junta duas pontas de um processo. &#8220;Costumo     brincar dizendo que quem descobre os atores são suas próprias mães.     Eu apenas dou uma oportunidade&#8221;, diz ele. &#8220;A decisão final raramente    é  minha. Basicamente apresento opções, que podem ser aceitas    pelo  diretor e pelo autor.&#8221; Como uma espécie de advogado dos novatos,     defende seus escolhidos das críticas que habitualmente recebem nos  primeiros    trabalhos. &#8220;Eu gosto de comparar o trabalho em uma novela  com um jogo de    futebol. Enquanto a bola está rolando, não dá para  pensar    em derrota e sempre há tempo para a recuperação&#8221;, afirma.     Claro, há casos de apostas erradas, que se provaram um fracasso. Sobre     esse assunto, prefere desconversar. &#8220;Não gosto de citar nomes, mas     tem muita gente que não vai para a frente. Isso faz parte do jogo.&#8221;     Entre os &#8220;pupilos&#8221; que deram certo, o que enfrentou maior resistência     foi Reynaldo Gianecchini. Dono de boa aparência, o ator chamou sua  atenção    ao atuar em uma montagem de <em>Boca de Ouro,</em> de Nelson  Rodrigues, feita pelo    Teatro Oficina de São Paulo. Com base na  apresentação, Rocha    resolveu chamá-lo para o papel do médico Edu de <em>Laços       de Família</em> – uma aposta ousada, por se tratar de um novato no     papel de protagonista. Até hoje, foi o desempenho menos elogiado de  Gianecchini,    que, mais tarde, se recuperou do revés. Para a  felicidade de Rocha, até    agora, os acertos têm sido tantos que  ofuscam completamente os insucessos.</p>
<p><em><br />
</em></p>
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		<title>Após 60 anos, Tietê sai do coma</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 14:35:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Simone Avellar</dc:creator>
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		<category><![CDATA[poluição]]></category>
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		<description><![CDATA[IvanPasqualini Favero
SimoneAvellar
(http://www.estadao.com.br/talentos/talentos2010/ &#8211; Caderno Especial: 05/12/2009)
O Tietê está saindo da UTI. Ainda que lentamente, o processo de despoluição, iniciado em 1992,  dá resultados. Hoje, cerca de 1,4 bilhão de litros de esgoto deixamde ir para o rio todos os dias e a previsão é de que, até 2018, ele possa ser reinserido à vida do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>IvanPasqualini Favero<br />
SimoneAvellar</p>
<p><em>(http://www.estadao.com.br/talentos/talentos2010/ &#8211; Caderno Especial: 05/12/2009)</em></p>
<p>O Tietê está saindo da UTI. Ainda que lentamente, o processo de despoluição, iniciado em 1992,  dá resultados. Hoje, cerca de 1,4 bilhão de litros de esgoto deixamde ir para o rio todos os dias e a previsão é de que, até 2018, ele possa ser reinserido à vida do paulistano. Para quem já esteve à beira damorte, esse éumbomcomeço, acreditaMaria Luiza Ribeiro, coordenadora do  programa Rede das Águas da SOS Mata Atlântica.</p>
<p>O Projeto Tietê está em sua terceira e última etapa. Nesses 17 anos em que vem sendo implementado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a coleta de esgoto na região metropolitana aumentoude70% para 84%, enquanto o tratamento subiu de<br />
24% para 70%. A mancha de poluição, que ia até o Anhembi, recuou 160 quilômetros e a perspectiva é de que regrida mais 40 até o fim do projeto. “Em 2018, o Tietê apresentará aspecto saudável, sem odor, e sua água já poderá ser utilizada para irrigação, lavar carros e em<br />
sanitários”,diz MariaLuiza. No entanto, segundo ela, o rio nunca mais será como no passado.</p>
<p>Até a década de 40, o rio era opção de lazer para quase 1,5 milhão de pessoas. De lá para cá, a população cresceu para 11 milhões. A falta de saneamento adequado sobrecarregou o Tietê. “Para crescer, a cidade virou as costas para o rio”, diz o professorde Saúdes Públicas Aristides Almeida Rocha, autor do livro Do Lendário Anhembi ao Poluído Tietê. Desde então, o rio tornou-se símbolo da poluição e da degradação da capital. A Sabesp planeja universalizar o saneamento nos próximos nove anos. A maior preocupação é com o esgoto doméstico, que corresponde à maior parte da contaminação do rio hoje.</p>
<p>Em 1992, as indústrias eram grandes poluidoras. Naquela época, 1.250 empresas jogavam seus resíduos químicos no rio ou em seus afluentes. Segundo a Companhia Ambiental do Estado de SãoPaulo (Cetesb), houve redução diária de 316,461 mil quilos da carga despejada pelas indústrias. “Não vou dizer que não existe mais poluição industrial, mas o nível é baixo. As ações sobre as indústrias são mais fáceis. É possível multar ou caçar licenças. No caso doméstico, não há o que fazer. Não se pode impedir ninguém de lançar esgoto”, diz o engenheiro Richard Hiroshi, especializado em controle de poluição ambiental da companhia.</p>
<p>Carlos Eduardo Carrela, superintendente de Gestão de Projetos Especiais da Sabesp, concorda. Para ele, no entanto, as principais dificuldades para expandir o saneamento são as ligações clandestinas e as 1.600 ocupações irregulares, que ocorrem, cada vez mais, em áreas de mananciais. “Para resolver o impasse das ocupações é preciso dinheiro. É necessário remover famílias e, só então, começar a obra. Há também a questão das ligações clandestinas. O fato de implantar rede coletora numa rua não quer dizer que todas as casas estejam ligadas.”</p>
<p>A relação da Sabesp com algumas prefeituras é outro empecilho. Mogi das Cruzes, Guarulhos  e SãoCaetano, por exemplo, não fazem parte da área de atuação da companhia. SãoCaetano, no ABC, é modelo: trata 100% de seu esgoto. Já Guarulhos não trata nada. Mesmo nas regiões de atuação da Sabesp, há queixas. É o caso de Osasco, que tem só 8% do esgoto tratado. “A Sabesp não investe aqui. Criamos um movimento para pressionar”, diz o prefeito Emídio de Souza. Para ele, funcionou. Foi antecipado para 2012 o prazo para que o tratamento de esgoto em Osasco atinja 70%.●</p>
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		<title>Depoimento de Simone Aleixo Avellar</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 14:16:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Simone Avellar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
(http://www.estadao.com.br/talentos/talentos2010/)
Na hora em que abri o e-mail me informando sobre a aprovação no curso, minha reação foi um misto de apreensão e euforia. Carioca, eu tinha apenas uma semana para mudar de cidade. Não vou dizer que foram dias fáceis, afinal, era a primeira vez que deixava minha zona de conforto, longe da família e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="focas_depoimentos_txt">
<p><em>(http://www.estadao.com.br/talentos/talentos2010/)</em></p>
<p>Na hora em que abri o e-mail me informando sobre a aprovação no curso, minha reação foi um misto de apreensão e euforia. Carioca, eu tinha apenas uma semana para mudar de cidade. Não vou dizer que foram dias fáceis, afinal, era a primeira vez que deixava minha zona de conforto, longe da família e amigos. Por outro lado, estava muito empolgada, pois tinha certeza de que seria um passo fundamental para minha vida.</p>
<p>E, então, quando entrei na sala de treinamento pela primeira vez, numa terça-feira de setembro, todas essas emoções contraditórias desapareceram imediatamente. Restou apenas uma grande expectativa pelo que estava por vir. De repente, éramos 31 focas &#8211; de origens variadas &#8211; compartilhando experiências diferentes, mas os mesmos sonhos.</p>
<p>Sonhos esses cultivados durante o Curso. A cada palestrante, novas histórias sobre a profissão me faziam orgulhar do caminho escolhido e ambicionar, um dia, ser tão boa quanto eles. Mas não apenas sonhei. Nesses três meses, também vivi. E intensamente. Tentando fazer todas as novidades serem assimiladas no deadline das 23h59.</p>
<p>Aprendi sobre ética, economia e política. Aprendi como me vestir adequadamente em uma empresa, a comer com elegância e a administrar minha carreira. Desbravei São Paulo o quanto pude, saí com novos e antigos amigos. Viajei, fiz matérias in loco, entrevistei grandes personalidades, entre tanto mais.</p>
<p>Hoje, faltando poucos dias para o encerramento, percebo uma revolução em mim. Não só como jornalista, mas como ser humano. Pois a lição mais importante que levo daqui, por incrível que pareça, é a que veio de mais longe. Eu aprendi que fazer comunicação é, acima de tudo, amar.</p></div>
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		<title>Brasil, fora da crise, se prepara para crescer</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 14:14:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Simone Avellar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Brasil como quinta economia mundial. A previsão otimista, revelada em recentes estudos do Fundo Monetário Internacional (FMI), tem o apoio do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. Ele acredita que, recuperado da crise, o País caminha para entrar no seleto grupo do Primeiro Mundo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil como quinta economia mundial. A previsão otimista, revelada em recentes estudos do Fundo Monetário Internacional (FMI), tem o apoio do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. Ele acredita que, recuperado da crise, o País caminha para entrar no seleto grupo do Primeiro Mundo.  “Nós temos muito trabalho pela frente. Temos que resolver alguns problemas antigos, como os bolsões de pobreza. Existem ainda cerca de 30 milhões de pessoas que precisam ser resgatadas. Mas é importante lembrar que nenhum país até agora conseguiu fazer com que 100% de sua população tivesse todas as condições ideais de vida”, afirma.</p>
<p>Em destaque no noticiário nacional por causa de suas críticas em relação à taxação do capital estrangeiro com o Imposto de Operações Financeiras (IOF), o Miguel Jorge desmente o mal estar entre ele e o ministro da Fazenda, Guido Mantega. “Não há guerra. O que existe são diferenças de opiniões. E isso é absolutamente normal”, diz ele, que nos últimos dias revelou à imprensa considerar a taxação de 2% um ato “inócuo”.“O grande problema que nós temos hoje, e que é um paradoxo, é que o País está pagando o preço do sucesso. Se ele estivesse mal, não teria essa quantidade de dólar entrando aqui. São poucos os países do mundo que neste momento têm a possibilidade de atrair investimento como o Brasil tem tido”.</p>
<p>O cabelo, repartido de lado, e o bigode grisalhos são marcas de uma longa jornada que teve início com o jornalismo. Hoje com 46 anos de trabalho, Miguel Jorge começou a vida profissional na redação do Jornal do Brasil. Mais tarde, durante 10 anos, ocupou o cargo de chefe de redação no Grupo Estado, de onde saiu em 1977 para iniciar carreira corporativa na Volkswagen e, depois, no Santander. Em 2007, assumiu o ministério substituindo Luiz Fernando Furlan. “Não tenho pretensão de voltar a trabalhar na grande imprensa. Acho que é hora de começar a pensar em parar. Estou  aposentado há um monte de anos e não consigo parar. Mas na verdade eu não tenho ideia do que eu vou fazer depois”, conta o ministro, de  64 anos, sobre as perspectivas para o fim do mandato.</p>
<p>Mas, mesmo com muito trabalho pela frente – como ele mesmo disse -, Miguel Jorge vê com bons olhos a fase econômica do Brasil. A crise – chamada pelo presidente Lula de “marolinha” -, segundo o ministro, já passou. E ele tem evidências para isso. “Todo mês os principais setores da economia se reúnem para avaliar como estão. No penúltimo mês já se percebia a saída crise, pois começava a se falar em Custo Brasil. Era a primerira vez em que se falava sobre isso desde a crise”. Outra prova citada é a mudança no nome desse mesmo grupo de “Grupo de Acompanhamento da Crise” para “Grupo de Avanço de Competitividade” (GDA).</p>
<p>“Saiu hoje [sexta-feira] nos jornais que a taxa de desemprego em setembro foi de 7,7%, o mesmo número de quando nós tivemos o melhor índice dos últimos anos. Quando você avalia outros países europeus, por exemplo, que você prevê queda de 6% até 10% no PIB e você ja assume que para o ano o Brasil deve crescer 1% e, no último trimestre, já é previsto um crescimento de 4%, eu não diria que foi uma marolinha, mas uma marola. A Espanha tem um índice de desemprego de 20%. Isso é Tsunami”, explica o ministro.</p>
<p>No entanto, para que a previsão do FMI se concretize nos próximos anos, Miguel Jorge defende a necessidade de estimular a internacionalização de empresas brasileiras. “Você não tem bancos brasileiros com presença em lugar nenhum for a do brasil, as redes de supermercado brasileiras não têm nenhuma presença for a do Brasil. Isso é absolutamente ridículo. Nós deveríamos ter há muito tempo multinacionais operando em outros países”, diz, apontando como benefícios dessa internacionalização a possibilidade de ter um <em>management</em> mais qualificado e um maior potencial competitivo ao absorver novas tecnologias e investimentos de fora.</p>
<p>A vitória do Rio de Janeiro para sediar os jogos olímpicos de 2016 foi outro sinal de confiança da comunidade internacional no desempenho do Brasil. Contudo, a violência na cidade, na última semana, reacendeu discussões acerca da decisão. Para o assunto, Miguel Jorge tem uma resposta na ponta da língua. “A cada três meses ocorre uma Columbine nos Estados Unidos. Alguém entra em uma escola e mata 10, 12 pessoas. E isso repercute no mundo tanto quanto uma guerra no Rio. Vocês acham que por isso Chicago não teria condições de realizar as olimpíadas?”</p>
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		<title>Pronto para decolar</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 14:12:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Simone Avellar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Esta semana, quando a mais conceituada revista de economia do mundo – a The Economist – dedica sua reportagem de capa ao Brasil sob o título “Brasil takes off” (“O Brasil decola”), o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, em entrevista aos alunos do XX Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado do Estado de S. Paulo, traça um panorama do País e fala sobre crescimento, Lula e petróleo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esta semana, quando a mais conceituada revista de economia do mundo – a The Economist – dedica sua reportagem de capa ao Brasil sob o título “Brasil takes off” (“O Brasil decola”), o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, em entrevista aos alunos do XX Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado do Estado de S. Paulo, traça um panorama do País e fala sobre crescimento, Lula e petróleo. Para o economista, o pior já passou. Ao encontro das opiniões do editorial da The Economist, Maílson concorda que o Brasil, agora, vive uma fase única de sua história &#8211; as bases prováveis que tornariam a pista livre e pronta para a decolagem. “Ficou para trás o risco de instabilidade política e econômica no Brasil. A discussão agora é &#8216;Como a gente faz para crescer?&#8217;”.</p>
<p>A aposta de Maílson para a questão acima é em um melhor entrosamento entre capital e trabalho que, segundo ele, deve começar pela educação. “O Brasil tem a mania de copiar. Então ele olha a China por for a e quer copiar o que ela está fazendo. Mas esquece que a China é resultado de uma revolução na educação, que ainda não aconteceu por  aqui”, explica.</p>
<p>Brasil e China, aliás, integram, com Rússia e Índia, o grupo das principais nações emergentes,  com projeções grandiosas para a próxima década. Os Brics, como são chamadas, são um conceito idealizado pelo economista Jim O&#8217;Neill em 2001. Pelas perspectivas de seu criador, o País será a 4a economia mais forte do mundo em 2050.  “O&#8217;Neill é um grande marketeiro. Os Brics são quatro países grandes, populosos, que estão conduzindo políticas econômicas responsáveis e estão crescendo muito. Se você olha do ponto de vista aritmético, daqui a quarenta anos, como a velocidade de crescimento dos quatro é maior do que a velocidade de crescimento dos países ricos, é fácil prever que eles estarão lá”.</p>
<p>De acordo com Maílson da Nóbrega, os sinais de que as previsões irão se concretizar já estão aparecendo. Um deles é a posição inédita do Brasil em relação às dívidas. “O Brasil entrou na crise com U$ 200 bilhões de reserva e uma dívida pública de aproximadamente U$ 190 bilhões. É credor líquido pela primeira vez na História”.</p>
<p><strong>A Maldição do petróleo</strong></p>
<p>Maílson é um palestrante de primeira linha. Sua fisionomia amigável e sua presença cativante aumentam ainda mais seu poder de argumentação – fundamentado em grande parte por seu conhecimento histórico. O bom humor, revelado nas constantes piadas espalhadas por seu discurso, quase disfarçam o conteúdo corrosivo de seus comentários, fazendo-os parecer inofensivos.  As palavras saem sem hesitação e tom não muda. Mesmo se ele estiver falando do presidente da República. “O Lula tem esse complexo de Adão, de achar que tudo veio dele, mas a grande contribuição do Lula foi a de não ter feito nada”. Ou ainda: “O presidente Lula tem a linguagem da quase lógica. O que ele diz não necessariamente tem lógica, mas se você não pensar direito, parece que tem”.</p>
<p>Graduado em ciências econômicas em 1974, Nóbrega iniciou carreira no Banco do Brasil e teve seu primeiro contato com o Ministério da Fazenda em 1979, como Coordenador de Assuntos Econômicos. O cargo de ministro só chegou nove anos depois,  durante o mandato de Fernando Collor de Melo.</p>
<p>Apesar de não declarar sua orientação política, suas críticas deixam perceber um clima de oposição ao governo atual. O novo embate tem como origem o regime adotado para a retirada de petróleo na área do pré-sal, a partilha. Por esse modelo, fica estabelecido que todo o petróleo descoberto é pertencente à União, que, por sua vez, deve pagar às multinacionais para explorar esse óleo. O problema, segundo Maílson, é que, embora esse tipo de regime possa dar mais lucro, os países que o seguiram são marcados pela instabilidade, como Nigéria, Irã e Iraque.</p>
<p>“O governo acha que o modelo tem que ser de partilha porque petróleo é estratégico. Estratégico é educação, fazer infra-estrutura, gerar emprego. Como diria Roberto Campos, petróleo não é passa de um líquido pegajoso e fedorento. Até porque os três países mais ricos do mundo são importadores de petróleo. O pré-sal é um erro muito grave. O regime de partilha repõe todas as visões da constituição de 1988. É a vingança do retrocesso”.</p>
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		<title>Samba rock</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 14:10:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Simone Avellar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ele parece tímido, ainda que sociável. É do tipo que chega de mansinho, mas sabe bem como conquistar seu espaço. No caso do curso, precisou apenas de um mês para se soltar: agora conversa, pergunta e até se arrisca com algumas piadas.
Está sempre sorrindo, é bem humorado. Mas se o assunto é trabalho, muda completamente. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ele parece tímido, ainda que sociável. É do tipo que chega de mansinho, mas sabe bem como conquistar seu espaço. No caso do curso, precisou apenas de um mês para se soltar: agora conversa, pergunta e até se arrisca com algumas piadas.</p>
<p>Está sempre sorrindo, é bem humorado. Mas se o assunto é trabalho, muda completamente. Fica sério e responsável e afobado. Sobretudo, quando precisa escrever sobre algum país difícil. “Honduras?!” (cara de preocupação.) Gestos, manias ou neuroses também o definem. Porém, a inocência de suas atitudes faz com que no fim tudo tenha graça.</p>
<p>Brasiliense, trai constantemente sua cidade ao declarar amor por uma muito mais maravilhosa. Ou por São Paulo, não importa. “No meu coração cabe o Brasil inteiro”.</p>
<p>Sabe sambas antigos de cor, já foi à Sapucaí e sua meta, agora, é desfilar no carnaval carioca. Mas, eclético, integra a turma do rock’n roll, dos indies e, quem sabe, outras tribos mais.</p>
<p>É um curioso assumido, que adora ouvir a conversa alheia. Por isso, quando ele estiver por perto, é bom ficar atento, pois nenhum comentário lhe escapa.</p>
<p>Contudo, cansado ou aborrecido, seu olhar – por trás das lentes &#8211; vai aos poucos esvaziando, fixo em algum lugar distante.  E nesse momento, para onde ele vai, só ele mesmo seria capaz de dizer.</p>
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		<title>É proibido proibir</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 14:09:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Simone Avellar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A defesa das leis antitabagistas ganhou na última quarta-feira um aliado a mais. Depois de Rio de Janeiro e São Paulo, foi a vez do Rio Grande do Sul validar o projeto que torna ilegal o ato de fumar em lugares fechados.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A defesa das leis antitabagistas ganhou na última quarta-feira um aliado a mais. Depois de Rio de Janeiro e São Paulo, foi a vez do Rio Grande do Sul validar o projeto que torna ilegal o ato de fumar em lugares fechados. A medida – que tem provocado discussões por onde é aprovada – ganhou agravante em terras gaúchas: a região concentra 54% da produção de tabaco do País. Considerada a capital mundial do fumo, a cidade de Santa Cruz do Sul &#8211; a 155 km de Porto Alegre – já vislumbra dificuldades.</p>
<p>“Aqui a economia é muito dependente do tabaco, por isso a gente vai ter que tolerar alguma transgressão da lei. Talvez aqui ainda se consiga fumar muito mais do que em outros lugares onde a proibição foi decretada”, afirma Jair Jasper, Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico de Santa Cruz do Sul, que, no entanto, não acredita em um embate com o governo. “Não vejo isso como um problema constrangedor. A população vai ter que se adequar com o tempo. Esse tipo de medida está virando um consenso nacional, não há o que fazer”.</p>
<p>Na cidade, de colonização alemã, terra da segunda maior Oktoberfest do Brasil, o cigarro é o imperador. Até mesmo a concorrida festa, que recebe cerca de 400 mil pessoas por edição, é patrocinada por empresas cigarreiras, como a Philip Morris e a Souza Cruz. Contrariando o comum, as placas de “Aqui é permitido fumar”, espalhadas por alguns lugares da região, denunciam quem manda na cidade. Restaurantes, auditórios, hall de hotéis, tanto faz. O cinzeiro jamais é esquecido em Santa Cruz.</p>
<p>Em todo o Rio Grande do Sul, somente em 2007, a indústria de tabaco do exportou o equivalente a U$ 2 bilhões e gerou para os produtores uma renda de R$ 2,4 bilhões. Para o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Werner, esse peso do fumo na economia foi bastante considerado no momento de decidir sobre a proibição. “Quando conversamos com a Assembleia, colocamos o fato de que a maior parte da produção do estado é de fumo e que, como é uma questão que envolve 100 mil famílias, a decisão tinha que ser bem estudada”.</p>
<p>Por isso, apesar de não ser bem-vinda – pois acredita-se que a lei pode vir a impactar negativamente a produção –, não é esperada uma redução a curto prazo da produção. “O consumo de cigarro vai diminuir com certeza. Se tem menos lugares para fumar, diminui o número de fumantes também. Mas a tendência do setor é de<br />
crescimento do consumo de 1% a 2% ao ano no mundo inteiro”, explica o secretário lembrando que 85% da produção é destinada ao mercado externo.</p>
<p><strong>LEI EQUILIBRADA</strong></p>
<p>Diferentemente de outros estados em que foi implantada, a lei de redução do cigarro no Rio Grande do Sul prevê a criação de espaços reservados aos fumantes dentro dos estabelecimentos – os fumódromos – e  não detremina qualquer punição para aqueles que a descumprierm. Para a associação, como revela seu presidente, é uma lei justa. “Nós, como produtores, podemos dizer que a lei no Rio Grande do Sul tem  mais equilíbrio entre o fumante e o não-fumante, pois preserva o espaço para quem fuma. É melhor do que as de São Paulo e Rio de Janeiro. Lá, os fumantes estão cerceados da sua liberdade”. Coerente. Afinal, no estado do tabaco, nada mais justo do que proibir proibir.</p>
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		<title>Um homem de raça e fé</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 14:05:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Simone Avellar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nascido e criado em Matão, interior do estado de São Paulo, Benedito Jesus Batista Laurindo – o padre Batista - deixou marcada sua história nos arredores da Praça da Sé, centro da capital paulista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nascido e criado em Matão, interior do estado de São Paulo, Benedito Jesus Batista Laurindo – o padre Batista &#8211; deixou marcada sua história nos arredores da Praça da Sé, centro da capital paulista.</p>
<p>Menino negro e pobre, Benedito teve que trabalhar durante a infância para ajudar a família. Tornou-se engraxate. Menino inteligente e determinado, não se deixou, contudo, abater pelas adversidades. Queria estudar, queria ser padre. E foi. Veio para a capital cursar o ensino médio e, em 1979, formou-se em Filosofia e Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção.</p>
<p>Seus ideais, sempre voltados para ajudar crianças que viviam situação semelhante à por que ele passara, chamaram a atenção do arcebispo metropolitano de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, que, em 1984, o nomeou o primeiro pároco negro da Catedral da Sé.</p>
<p>Àquela época, as religiões cristãs desenvolviam uma corrente chamada Teologia da Libertação, que era fundamentada nas Comunidades Eclesiais de Base -   organizações que tinham como objetivo articular a fé à busca de uma sociedade mais igualitária.</p>
<p>Desde o período do seminário, padre Batista costumava dividir seu tempo entre os estudos e a dedicação aos menores de rua da Praça da Sé. Seu principal foco era na formação das crianças. Procurava levar-lhes conhecimento, acompanhamento psicológico, além de &#8211; é claro &#8211; prover-lhes alimentação.</p>
<p>“A Praça da Sé mudou fisicamente, mas continua sendo um ponto de encontro de pessoas em situação de rua. Nos anos 80, a repressão da polícia era muito forte na região e ainda não existia o Estatuto da Criança e do Adolescente. Por isso, muitas vezes o padre Batista chegou a esconder crianças na Catedral”, diz Sinvaldo Firmo, advogado do Instituto do Negro e beneficiado pelo padre.</p>
<p>A verba para viabilizar a ajuda, no entanto, não vinha da Igreja, e sim de admiradores do trabalho do padre Batista, a exemplo da vice-prefeita Alda Marco Antonio e do babalorixá Pai Francisco de Oxum, cuja crença religiosa divergente não impediu a amizade com o sacerdote.</p>
<p>“Não existia para o Padre Batista preconceito de nenhuma espécie. O que importava é que lutassem pelos mesmos objetivos”, conta Deborah Cristina de Paula, secretária executiva do Instituto do Negro Padre Batista.</p>
<p>A primeira instituição fundada pelo Padre Batista foi o Centro Comunitário do Menor, no início da década de 80, no bairro da Liberdade. Contudo, tempos mais tarde, depois de anos de assistência a crianças de rua, Padre Batista transformou sua luta em uma questão racial.</p>
<p>Ele observou que a grande maioria da população de rua atendida era constituída por negros e, a partir dessa constatação, ele passou a se empenhar para ver a situação mudar. Ele queria ver mais negros formados, ocupando cargos melhores.  Assim, criou em 1987 o Instituto do Negro, na Rua Venceslau Brás, 78, em um prédio cedido pela Arquidiocese.</p>
<p>Com o apoio do Cardeal Dom Paulo, Padre Batista conseguiu recursos de organizações no exterior &#8211; entre elas  a americana  The King Center,  em memória de Martin Luther King, ícone da luta pelos direitos civis dos negros -, para financiar o projeto de seu instituto, que visava conceder bolsas de estudos para jovens negros carentes.</p>
<p>Sinvaldo foi um dos primeiros a se formar com o auxílio do Instituto do Negro. “Eu entrei para a faculdade de Direito de Mogi das Cruzes em 1989, já era casado e trabalhava no mercado informal paralelamente aos estudos. Mas fiquei desempregado e não tive mais condições de pagar a universidade. Ao conversar com uma amiga, ex-freira, ela me falou sobre o trabalho do Padre e eu fui procurá-lo. Ele acreditou em mim, no meu potencial, e eu consegui terminar o curso”, relata o advogado.</p>
<p>No entanto, para confiar as bolsas aos jovens, Padre Batista tinha uma condição: ele pedia para que os beneficiados fizessem uma corrente e, depois de formados e estabilizados, se dedicassem a ajudar outros necessitados. Hoje, Sinvaldo Firmo é advogado voluntário do Instituto do Negro Padre Batista, assim como outros que também seguiram o pedido.</p>
<p>Padre Batista morreu em 1991, com 39 anos, mas deixou um legado que dá,continuidade a seu trabalho e mantém sua memória acesa até hoje. Recentemente, no final de 2007, foi assinado o projeto de Lei que instituiu a “Semana Padre Batista de Combate à Discriminação Racial” e o “Prêmio Padre Batista” que têm como objetivo discutir e homenagear as iniciativas de combater o preconceito racial.</p>
<p><strong>Voz de veludo</strong></p>
<p>Além de todo trabalho social, Padre Batista também é lembrado por sua voz. Enquanto diácono na Catedral da Sé, posição imediatamente abaixo da do padre,  Benedito Batista também exerceu a função de mestre de capela – cuja responsabilidade é compor músicas litúrgicas.</p>
<p>Segundo o Padre José Enes de Jesus, que ocupa o cargo de presidente do Instituto do Negro desde a morte de Padre Batista, seria possível ainda hoje encontrar pessoas que, mesmo sem o menor conhecimento de sua luta, possam se lembrar dele pela voz. Ele explica: “Era uma voz excepcional. Inesquecível. Eu o conheci em uma missa, ainda nem tinha sido ordenado padre. Vim de Minas Gerais e não morava perto do centro, mas depois de escutá-lo a primeira vez, passei a assistir as missas sempre lá”.</p>
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		<title>Trocando as bolas</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 01:28:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Simone Avellar</dc:creator>
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		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Rondônia]]></category>

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		<description><![CDATA[
Por trás da bancada, chamava atenção pela habilidade com que manuseava o simulador de escavadeira. De pé, o corpo bruto, atlético, e a conversa revelaram um passado glorioso. O futebol é sua grande paixão. E o motivo de maior orgulho em sua vida, já que foi por meio dessa atividade que atingiu um sucesso inesperado. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;">Por trás da bancada, chamava atenção pela habilidade com que manuseava o simulador de escavadeira. De pé, o corpo bruto, atlético, e a conversa revelaram um passado glorioso. O futebol é sua grande paixão. E o motivo de maior orgulho em sua vida, já que foi por meio dessa atividade que atingiu um sucesso inesperado. Já disputou partidas pela seleção brasileira em mundiais, olimpíadas, além da conquista de um campeonato estadual pelo São Paulo Futebol Clube em 1999. O currículo poderia ser de qualquer campeão, mas, nesse caso, trata-se de Elissandra Regina Cavalcanti, 33 anos, conhecida no meio futebolístico como Nenê. Longe dos campos desde Sydney, em 2000, Elissandra trocou a bola pelo capacete, e hoje integra o grupo de 7 mil funcionários que trabalham na construção da Usina Hidrelétrica Santo Antônio às margens do Rio Madeira, em Porto Velho, Rondônia.</span></span></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;">Nenê nasceu na capital rondoniense em 1976 e, devido ao talento com o futebol, foi para São Paulo na adolescência jogar no clube tricolor, de onde progrediu para a seleção brasileira. Dispensada em 2000, após as olimpíadas de Sydney e a destituição da categoria feminina nos principais times do País, ela continuou na cidade trabalhando como taxista. Voltou para Rondônia apenas no ano passado para ajudar o pai na nova empreitada como confeiteiro. “Meu pai achava muito perigoso eu ficar no taxi em São Paulo. Como ele tinha aberto a loja, me chamou para trabalhar com ele”, conta. </span></span></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;">No entanto, não foi longa sua passagem na confeitaria. Tão logo ficou sabendo do projeto de capacitação profissional para as obras da usina, decidiu se inscrever. A especialização escolhida foi em escavadeira hidráulica. Optar pelo batente pesado no lugar do trabalho tranqüilo na confeitaria também teve uma razão ideológica. “Eu acho bonito mulheres trabalhando em funções consideradas masculinas”, diz ela, que não se importa com o preconceito por que às vezes ainda esbarra. “Gosto de desafios”, explica. </span></span></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;">E que desafios! A nova meta de Elissandra, agora, é se tornar operadora de guindastes na construção. Além do maior grau de dificuldade – o que a levaria à superação mais uma vez – chamou a atenção da ex-jogadora o valor do salário: R$ 7 mil. A contar pelas atitudes anteriores, não é difícil acreditar que ela chegará lá. </span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;"><strong>Sexo nada frágil</strong></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"> Dada a grandiosidade do canteiro de obras da hidrelétrica Santo Antonio – que ocupa uma área de 2,7 km² -, nada mais justo do que contar com um grande contingente de mão de obra. São quase sete mil trabalhadores reunidos com a finalidade de colocar a usina gerando energia até 2015. </span></span></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;">A grande especificidade do empreendimento, entretanto, é a quantidade de mulheres que fazem parte desse grupo. Elas somam 14% da força de trabalho, quando, na média brasileira, esse número não passa de 2%. A exemplo de Elissandra, elas buscam superação e melhores oportunidades de vida, em uma cidade com poucos postos de trabalho e salários baixos. Na construção, um técnico pode vir a ganhar até R$12 mil.</span></span></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;">No entanto, Fabiane Costenaro, coordenadora do Projeto Acreditar afirma que não houve nenhum incentivo direto da construtora para a contratação feminina. Segundo ela, tudo aconteceu ao acaso. “Desde o início do projeto, as mulheres começaram perguntar se podiam trabalhar. A gente achou legal e apoiou. Na verdade, não existe distinção de trabalho entre os dois sexos. Só quando a tarefa é mais pesada, e nesse caso, o que importa é a capacidade física de cada um, independente de ser homem ou mulher”, explica. E, pelo que se pode perceber, as operárias da Hidrelétrica Santo Antônio vieram para mostrar que as mulheres são um sexo nada frágil.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">
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		<title>Cada palavra é importante</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Jul 2009 19:17:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Simone Avellar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Matérias Publicadas]]></category>
		<category><![CDATA[escrever]]></category>
		<category><![CDATA[FLIP]]></category>
		<category><![CDATA[texto]]></category>

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		<description><![CDATA[(O Globo online)
Gay Talese na FLIP 
“Escrever reflete com mais precisão o que você pensa, pois quando eu falo eu apenas faço um rascunho do que pretendo escrever. Quando coloco no papel, eu torno o texto mais autêntico e fiel ao que gostaria de dizer, porque me dá a oportunidade de ponderar. Cada palavra é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(O Globo online)</p>
<p><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: x-small;"><strong>Gay Talese na FLIP</strong> </span></span></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;">“Escrever reflete com mais precisão o que você pensa, pois quando eu falo eu apenas faço um rascunho do que pretendo escrever. Quando coloco no papel, eu torno o texto mais autêntico e fiel ao que gostaria de dizer, porque me dá a oportunidade de ponderar. Cada palavra é importante.” </span></p>
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